A nossa infraestrutura inclui ferramenta generativa. Dizer isso com todas as letras importa antes do resto, porque o que vem a seguir soaria como marketing de quem tem outro produto para vender. A gente não tem outro produto. A gente está descrevendo os casos em que o nosso próprio trabalho é a escolha errada.

Um: quando a rota do projeto passa por um órgão com restrição

Festivais, fundos e alguns financiadores institucionais vêm introduzindo regra sobre trabalho produzido de forma generativa, e a regra difere entre eles e vem mudando rápido. Alguns exigem declaração. Alguns restringem elegibilidade em mostras específicas. Alguns são silenciosos, o que não é a mesma coisa que permissivo.

Se o plano do seu projeto depende de um órgão específico, o método não é uma decisão de produção neutra. Ele pode afetar uma rota com que você conta. A resposta não é adivinhar, e definitivamente não é acreditar na nossa palavra. Leia o regulamento vigente dos órgãos específicos do seu plano, neste ano, antes de alguém começar.

A gente nunca promete elegibilidade em lugar nenhum, para nada. Ninguém pode, porque a regra não é nossa e ela muda.

Dois: quando o filme tem que provar que você dirige

Uma parcela significativa dos proof of concept existe para responder a uma pergunta sobre uma pessoa e não sobre um projeto: este diretor dá conta deste material nesta escala.

Se a pergunta é essa, então como o filme foi feito faz parte da evidência, e um filme produzido num pipeline que o diretor não controla é evidência mais fraca, às vezes a ponto de ser contraproducente. A sala pode admirar e ainda assim não ter aprendido a coisa que precisava aprender.

Isso tem solução, mas só estruturando o trabalho de modo que o diretor de fato dirija em vez de aprovar. Isso é outro tipo de contrato, e precisa ser combinado no começo.

Três: quando envolve uma pessoa real

Gerar um ser humano reconhecível, vivo ou recém-falecido, é um problema jurídico e ético antes de ser criativo. Direito de imagem e de semelhança varia por jurisdição e está sendo ativamente litigado e legislado.

Existe também uma armadilha prática que pega gente. Gerar sem nenhuma referência não deixa você seguro. Modelo produz rosto que pode se parecer fortemente com intérprete real, e semelhança acidental continua sendo semelhança aos olhos de quem tem aquele rosto. Se um indivíduo específico aparece, tem que ser com o acordo dele, em base documentada.

Quatro: quando o público do filme é o público errado para o método

A reação difere fortemente de sala para sala. Um fundador captando recurso, uma incorporadora vendendo projeto não construído, uma marca lançando produto: nesses contextos o método normalmente é irrelevante, e às vezes é vantagem, porque demonstra velocidade e controle.

Em partes da indústria de cinema a reação é outra, e não é uniforme. Algumas pessoas se importam muito, outras não se importam nada, e muitas vezes não dá para saber com qual você está lidando de antemão. Se a sua rota passa por um número pequeno de pessoas específicas cuja posição sobre isso você não conhece, vale descobrir antes de contratar, e é uma pergunta barata de fazer.

Cinco: quando o projeto é sobre exatamente aquilo que o método enfraquece

Ocasionalmente a afirmação central de um projeto é sobre ofício humano, atuação física, uma relação documental com o real, ou um lugar capturado e não construído. Nesses casos o método pode contradizer o pitch em silêncio, e o espectador sente a contradição antes de conseguir articular.

Isso é juízo de gosto e não regra, e é do tipo que vale fazer conscientemente em vez de descobrir dentro de uma sala.

O que a gente faz a respeito

  • A gente pergunta, na primeira conversa, que rota o projeto vai tomar e quem tem que dizer sim.
  • A gente diz com todas as letras que não promete elegibilidade em festival, fundo ou instituição nenhuma, e coloca isso no escopo de trabalho.
  • A gente não coloca pessoa real específica na tela sem base documentada.
  • Quando a pergunta é se você dirige, a gente estrutura o trabalho para que você dirija.
  • Se a gente achar que o método está errado para o projeto, a gente fala, e prefere perder o trabalho a entregar um filme que prejudica a coisa que ele deveria ajudar.

O motivo de publicar isso

Em parte porque é verdade. Também porque a alternativa é pior para a gente. Um filme que prejudica um projeto produz um cliente que se arrepende de ter trabalhado com a gente, e isso é mais caro que o valor de qualquer trabalho isolado.

A ferramenta é infraestrutura. Não é motivo para contratar ninguém, e não é motivo para contratar a gente. Direção é.

Como a gente trabalha, inclusive o que a gente recusa, está na página de proof of concept.

Existem cinco situações em que um filme de pitch produzido de forma generativa prejudica um projeto: rota com restrição, filme que precisa provar um diretor, pessoa real na tela, sala em que o método é contestado, e projeto cuja própria afirmação o método contradiz. Verifique a regra na fonte e nunca aceite promessa de elegibilidade de ninguém.

Conte que rota o seu projeto está tomando. Se o método estiver errado para ele, a gente fala.

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