Toda imagem de um projeto não construído é uma afirmação sobre o futuro. Na maior parte do tempo isso não é problema, porque todo mundo na sala entende a convenção. Deixa de não ser problema quando alguém toma como documentação o que era intenção, e decide em cima disso.
O mercado resolve isso com uma linha de letra miúda sobre imagem meramente ilustrativa. Essa linha faz um trabalho real, e ela não é uma estratégia. O caminho melhor é fazer o filme de um jeito que carregue a distinção dentro das próprias imagens.
Três camadas, e vale escrever
Antes da produção, a gente separa tudo o que vai aparecer em três caixas, e pede para o cliente aprovar a separação. Leva uma hora e evita o tipo caro de discussão lá na frente.
- Definido. Aprovado, especificado, comprometido em contrato. Forma estrutural, volumetria aprovada, material assinado, planta consentida. Isso pode ser mostrado como documentação.
- Pretendido. A intenção de projeto atual, provavelmente construída mais ou menos assim, ainda sujeita a mudança. A maior parte dos interiores, do paisagismo e dos acabamentos em fase inicial.
- Ilustrativo. Está ali para transmitir caráter e não fato. Mobiliário, arte, styling, vegetação madura, clima, e acima de tudo gente.
As categorias em que ninguém pensa
Duas coisas específicas causam a maior parte do problema, e nenhuma delas é escolha de material.
A primeira é a vista. Um filme feito de dentro de uma unidade olhando para fora está afirmando o que o comprador vai enxergar. Terreno vizinho é incorporado. Árvore é removida. A vista é uma das poucas coisas de um projeto inteiramente fora do controle da incorporadora, e é uma das mais usadas pelo comprador para decidir.
A segunda é vegetação madura. Mostrar o paisagismo como ele vai estar em quinze anos é prática corrente e é uma afirmação visual significativa. Não é desonesto se todo mundo entende a convenção, e uma quantidade surpreendente de gente não entende.
Por que a versão honesta é também o filme melhor
Isso soa como argumento de compliance. Na verdade é de ofício.
Precisão se lê como confiança. Quando um filme é específico sobre um material, uma dimensão, uma relação entre dois espaços, o espectador registra que alguém decidiu. Quando um filme é uniformemente lustroso sobre tudo, o espectador não consegue distinguir o que é real e passa a descontar tudo.
Então a estrutura mais forte é ser exato onde você é exato, e abertamente atmosférico onde não é. O contraste entre os dois é legível e faz a parte definida aterrissar com mais força.
Especificidade onde você tem se lê como confiança. Vagueza onde você não tem se lê como cuidado. Lustro uniforme não se lê como nenhum dos dois.
Como lidar na prática
- Aprove a separação em camadas antes da produção, não depois do primeiro corte.
- Onde a vista aparece, saiba qual é a situação urbanística atual dos terrenos vizinhos e trate a imagem de acordo.
- Mostre o paisagismo num momento declarado no tempo, e declare qual é.
- Mantenha as pessoas na camada ilustrativa. Ninguém acredita que o filme é documentário sobre seus figurantes, e esse é o único lugar onde a liberdade não custa nada.
- Faça a ressalva legível e específica em vez de um muro de letra miúda. Ressalva genérica protege menos do que se imagina, e sinaliza que nada na tela é confiável.
O ponto que sobrevive a qualquer jurisdição
Regra de venda na planta muda de país para país e de estado para estado, e muda no tempo. Nada aqui é orientação jurídica e o seu advogado precisa ver o filme e o material em volta antes de qualquer coisa sair.
O que não varia é a lógica de baixo. Se um comprador ou um investidor decide com base em algo do seu filme que depois não se confirma, você tem um problema cujo tamanho não tem nenhuma relação com a redação da ressalva. O filme é a promessa de que as pessoas lembram. Construa ele de modo que tudo o que ele promete seja promessa que você pretende cumprir.
Essa separação faz parte de como a gente começa todo projeto não construído. Mais na página de projetos não construídos.
Separe tudo o que vai à tela em definido, pretendido e ilustrativo antes da produção, e aprove a separação. Ser exato onde você é exato e abertamente atmosférico onde não é sai mais seguro e mais persuasivo que lustro uniforme.
A gente roda a separação em três camadas no começo de todo projeto não construído, antes de qualquer coisa ser desenhada.
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